Solar fotovoltaico ainda representa menos de 4% da capacidade instalada para produção de energia renovável em Portugal

Crescimento do setor deve apostar mais na produção descentralizada

 

solar fotovoltaicoCom muito potencial ainda por concretizar em Portugal, a Quercus considera que o setor do solar fotovoltaico tem vindo a crescer de forma muito lenta, colocando o país na cauda da Europa, ainda que tenhamos o nosso número de horas de sol anuais seja dos mais favoráveis. Na verdade, Portugal beneficia do dobro da insolação de outros países, como o Reino Unido ou a Alemanha, embora estes tenham, respetivamente, cerca de 20 e 100 vezes mais potência instalada face à realidade portuguesa (465 MW).

 

A disparidade verifica-se também ao compararmos Portugal com um país com uma realidade mais aproximada em termos de área territorial, clima e situação económica – como o caso da Grécia – que tem atualmente 2,6 GW de capacidade instalada no fotovoltaico, isto é, quase 6 vezes mais.

 


No entanto, analisando o peso das tecnologias renováveis no setor elétrico nacional, estas já representavam, em 2015, mais de 60% da capacidade instalada para produção de eletricidade
(12293 MW) e, por outro lado, a produção total bruta de eletricidade com origem em fontes renováveis ficou perto dos 60% em 2016. Este crescente – e positivo – peso das renováveis no mix energético nacional é garantido essencialmente pela hídrica e pela eólica, que juntas representam 90% do total da capacidade renovável em Portugal.

 

 


Com efeito, a energia solar fotovoltaica garantiu apenas 1,4% da produção em Portugal em 2016. Mesmo tendo em conta as previsões optimistas de aumentar a capacidade instalada do solar fotovoltaico em 20 vezes até 2030, a Quercus considera que esta aposta poderia ser mais célere tendo em conta o potencial existente e a rápida evolução da tecnologia.

 


Parte deste crescimento será concretizado através das 14 novas centrais fotovoltaicas que o Governo aprovou recentemente para as regiões do Alentejo e do Algarve e que não terão custos para o erário público. No entanto, esta corrida ao fotovoltaico no sul do país não deve criar a ilusão de que esta será a única via de crescimento, devendo sempre acautelar os potenciais impactes ambientais na paisagem e na disponibilidade de área produtiva.

 

 


A “revolução solar” tem de passar também pela produção descentralizada

 

Para a Quercus, a aposta no fotovoltaico não pode ficar limitada às megacentrais, mas tem de passar também pelo produção descentralizada de energia, que permite instalar os painéis fotovoltaicos em áreas já artificializadas, aproveitando as coberturas de infra-estruturas já existentes e não ocupando, desse modo, área natural. Além disso, ao permitir a produção de energia próxima do ponto de consumo, reduzem-se as perdas de energia na rede, evitando-se também a sobrecarga desta última, nomeadamente nas horas de ponta. Por fim, produzir a própria eletricidade permite uma maior independência face à rede e uma menor exposição à variação dos preços.

 

Quem pretender ser auto-suficiente, terá que adquirir baterias para armazenar a energia a consumir nos períodos em que não haja produção, sendo este um fator importante a ponderar na questão da viabilidade económica do investimento. No entanto, o avanço da tecnologia associado a um aumento da procura contribuirão tendencialmente para reduzir os custos e aumentar a vida útil destes componentes.          

 

 

A produção descentralizada pode acontecer, por um lado, através de unidades de produção para autoconsumo (UPAC), em que a energia produzida é injetada na instalação / habitação para consumo próprio, podendo o excedente ser vendido à rede, o que permite recuperar rapidamente o investimento. Até 1,5 kW de potência instalada, e desde que não se queira vender energia à rede, não é necessário nenhum registo e inspeção pela DGEG. Até fevereiro de 2017, registaram-se cerca de 8000 comunicações prévias relativas à instalação de UPACs entre os 0,25 e os 1,5 kW. Por outro lado, as unidades de pequena produção (UPP) injetam na rede a totalidade da energia produzida pelos painéis fotovoltaicos, assumindo um modelo de funcionamento similar ao anterior regime de miniprodução.

 

Tendo em conta que os setores dos serviços e do doméstico representam 60% do consumo de eletricidade a nível nacional, a Quercus considera que a aposta neste tipo de unidades de produção descentralizada (seja para autoconsumo ou só para venda à rede) é uma opção estratégica para impulsionar o setor do solar fotovoltaico no mix das renováveis, devendo ser criados mais incentivos que tornem estes sistemas mais atrativos e acessíveis tanto a particulares, como a empresas públicas e privadas.

 

Para que o solar possa de facto fazer jus ao título de “terceira revolução das renováveis”, é preciso explorar toda a versatilidade e flexibilidade desta tecnologia, que está em constante aperfeiçoamento. São necessários avanços tecnológicos que permitam reduzir os custos e melhorar a viabilidade económica do investimento em sistemas fotovoltaicos, tendo em consideração o tempo de vida útil médio de 25 anos.

 

 

Tal como já defendeu anteriormente, a Quercus considera que só uma meta de 45% de energias renováveis em 2030, com vista à total descarbonização do setor elétrico em 2050, é compatível com a transição energética para uma economia de baixo consumo e o cumprimento dos objetivos de Paris.

 

 

Lisboa, 4 de setembro de 2017



A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

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