Smartphones podem ter uma vida mais longa

A Quercus congratula-se com o lançamento do primeiro smartphone que permite a atualização dos aparelhos pela substituição de diferentes elementos, nomeadamente as câmaras, permitindo assim reduzir a produção de resíduos, poupar dinheiro ao consumidor e criar um impacte positivo nos modelos de negócio das empresas tecnológicas que têm vindo a evitar esta inovação.

 

https://drive.google.com/file/d/0B1y-DE4diQI7dE04eGpmUkxza2M/view

 

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É lançado hoje  pela Fairphone o primeiro smartphone que permite a substituição de diferentes elementos, nomeadamente as câmaras, que promete reduzir a produção de resíduos, poupar dinheiro ao consumidor e criar um impacte positivo nos modelos de negócio das empresas tecnológicas que têm vindo a evitar esta inovação.

 

A Quercus associa-se à maior rede europeia de associações ambientais - o European Environmental Bureau (EEB) - para destacar a "modularidade" como um contributo para um menor impacte ambiental destes aparelhos, pois contribui para diminuir a extração de metais, por vezes executada em condições ambiental e socialmente desfavoráveis e a produção de resíduos, prolongando o ciclo de vida dos produtos e permitindo a concretização de uma economia mais circular.

 

Hoje em dia, as constantes novidades tecnológicas impelem os consumidores a comprar equipamentos eletrónicos para substituir outros perfeitamente funcionais. Cada vez mais diversificados e acessíveis em termos de preço, os pequenos eletrodomésticos e os gadgetsrepresentam uma grande fatia do lixo eletrónico produzido a nível global.

 

A crescente produção de lixo eletrónico deve-se ao facto do mercado disponibilizar produtos baratos mas com um tempo de vida cada vez mais curto. Perante uma avaria, a reparação é mais cara do que a compra de um novo. Em termos ambientais, isto significa toneladas de lixo eletrónico, com elevado nível de toxidade devido a substâncias perigosas como o mercúrio, o crómio e o cádmio, altamente contaminantes se chegarem ao meio natural.

 

Das 41,8 milhões de toneladas de aparelhos elétricos e eletrónicos descartados em 2014, mais de metade corresponde a pequenos aparelhos de cozinha e casa-de-banho, como torradeiras ou secadores de cabelo. Logo a seguir nesta lista, estão os telemóveis, computadores pessoais e impressoras, segundo um estudo de 2014.

 

O rápido desenvolvimento tecnológico tem motivado a troca mais frequente dos equipamentos eletrónicos conferindo-lhes um tempo de vida mais reduzido e aumentando os impactes ambientais. Os telemóveis, por exemplo, têm sido desenhados para durar entre 18 a 24 meses, sendo incentivada a sua substituição ao fim deste tempo. A obsolescência programada, a dificuldade e/ou os preços elevados para substituição de elementos específicos dos aparelhos, nomeadamente as baterias e os ecrãs, incentivam a compra de um novo, agravando o problema dos resíduos eletrónicos.

 

Estes equipamentos, hoje dotados de inúmeras funções, desatualizam-se cada vez mais rapidamente. Porém, o esforço para aumentar a reparabilidade e atualização destes aparelhos, que resultaria no aumento do seu tempo de vida útil, não está na agenda dos fabricantes. Gigantes tecnológicos são acusados de não investir em soluções mais sustentáveis para manterem assim os seus elevados lucros.

 

Segundo o especialista em políticas de resíduos do EEB - European Environmental Bureau, não pretendemos dizer que a modularidade seja a cura para o problemas dos resíduos eletrónicos, extração de minerais e trabalho infantil. Mas se for bem executada, poderá estender o tempo de vida, diminuir o consumo e facilitar a vida ao consumidor.

 

Os poucos investimentos realizados resumem-se a processos de reciclagem de alguns elementos dos aparelhos em fim de vida. Não se sabe ao certo se estes programas estão a resultar numa apropriada reciclagem dos materiais, dado que muitos recicladores não possuem conhecimento apropriado para o fazerem, resultando no desperdício ou mau encaminhamento de muitos materiais, alguns deles, tóxicos e outros minerais raros.

 

Por outro lado, aos consumidores é dificultada a reparação e atualização dos seus telemóveis pois estes são concebidos de forma a poderem ser exclusivamente reparados pela empresa fabricante o que lhes confere monopólio e consequentemente lhes permite especular sobre os preços da reparação.

 

A economia circular aposta, entre outras estratégias, na transição do foco no produto para o foco no serviço, favorecendo a reparação dos equipamentos em detrimento da sua substituição. Esta transição é obtida através das normas ambientais que regulam os processos de conceção e produção dos produtos.

 

 

Lisboa, 31 de agosto de 2017

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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