24 de Maio - Dia Mundial da Migração dos Peixes: gestão dos rios deve ter em conta importância económica dos peixes migradores

 

enguiaNo próximo dia 24 de maio, assinala-se o Dia Mundial da Migração dos Peixes. A Quercus aderiu a este evento global que conta com mais de 250 iniciativas e, em parceria com outras entidades, irá dinamizar atividades em várias bacias hidrográficas do país, durante as quais pretende chamar a atenção para a importância da existência de rios bem conservados e sem obstáculos que possibilitem a migração de peixes.

Hoje é reconhecida a nível mundial a importância de preservação de rios sem grandes obstáculos no seu curso, sem poluição e com boa vegetação ribeirinha, que permitam a livre circulação dos peixes, possibilitando a manutenção de elevados níveis de biodiversidade e populações piscícolas viáveis e saudáveis.

Quer as espécies migradoras que no período de reprodução percorrem longas distâncias entre o mar e o rio como a Lampreia-marinha ou o Sável, quer as que percorrem curtas distâncias no rio, como os Barbos e as Bogas, encontram-se depauperadas, em grande medida, devido à construção de barragens e açudes que interrompem a migração, alteram o regime de caudais e o transporte de sedimentos para o litoral e promovem a conversão de sistemas lóticos (águas correntes) em lênticos (águas paradas). Juntam-se a isto a extração de materiais inertes, a introdução e translocação de espécies, a sobre-exploração dos recursos hídricos (captações de água e transvases), a poluição, a regularização dos sistemas hídricos, a destruição da vegetação ripícola e a sobrepesca.

Todos os fatores anteriormente mencionados afetam fortemente as espécies migradoras a nível nacional, em particular algumas de elevado valor comercial, como a Lampreia-marinha (Petromyzon marinus), o Sável (Alosa alosa) e a Savelha (Alosa fallax), a Enguia-europeia (Anguilla anguilla).

Considerando a importância dos ecossistemas ribeirinhos no fornecimento de serviços (benefícios), as mais das vezes pouco valorizadas ou pensadas apenas para suprir as necessidades de produção de energia, torna-se urgente a adoção de políticas que se preocupem com a resolução dos problemas de poluição que persistem, a recuperação da conectividade longitudinal dos rios e a reabilitação das margens e da vegetação ribeirinha e com a implementação de uma fiscalização eficaz das actividades económicas, que permitam a recuperação das populações de peixes migradores, as quais são um importante suporte económico e de manutenção da coesão social em diversas regiões do país.

Lisboa, 21 de maio de 2014

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 


 
Locais ribeirinhos onde vão ser desenvolvidas as acções:

•    Rio Minho – parceria com o Município de Caminha e a Marinha Portuguesa - Passeio interpretativo no NRP (Navio da República Portuguesa) Rio Minho, da Marinha Portuguesa
•    Ria de Aveiro (Estuário do rio Vouga) – parceria com o Município da Murtosa - Passeio interpretativo na Ria de Aveiro no Moliceiro do Município da Murtosa
•    Rio Vouga – parceria com o Município de Águeda - Passeio interpretativo de comboio entre Aveiro e Sernada do Vouga
•    Rio Tejo – parceria com o Município de Mação - Passeio interpretativo de comboio pelo Tejo e contacto com os pescadores locais
•    Rio Guadiana – parceria com o Município de Mértola - Passeio interpretativo de barco (a confirmar) junto a Mértola
•    Rio Mondego – Coimbra – acção da Agência Portuguesa do Ambiente apoiada pela Quercus - Visita por convite à passagem para peixes no Açude-Ponte de Coimbra
•    Rio Ocreza – Acção Quercus em Vila Velha de Ródão – Descida do rio com caiaque e percurso pedestre

Espécies migradoras mais relevantes em Portugal:

A Lampreia-marinha (Petromyzon marinus), o Sável (Alosa alosa) e a Savelha (Alosa fallax) , migradores anádromos que ocorrem em geral nas bacias hidrográficas dos rios Minho, Lima, Vouga, Mondego, Tejo e Guadiana, sendo que a última ocorre também no Sado, Mira e esporadicamente no Douro;

A Enguia-europeia, que vai desovar no Mar dos Sargaços, a nordeste do Mar das Caraíbas, e cujas larvas atravessam o oceano em direção aos cursos de água europeus onde completam o seu desenvolvimento até chegar à idade adulta, uma espécie migradora catádroma distribuída por todas as bacias hidrográficas em Portugal Continental, contudo o seu estatuto de conservação desfavorável é preocupante;

A Truta-marisca (migradora) e do Salmão-do-atlântico, espécies migradoras que após a fase de crescimento no mar, regressam ao local de nascimento, em pequenos afluentes de características tipicamente salmonícolas, espécies que apresentam uma área de ocorrência muito circunscrita. Atualmente em Portugal ambas as espécies só ocorrem no rio Minho, sendo que a Truta-marisca poderá também ocorrer no rio Lima;

Os Barbos e as Bogas-de-boca-recta, migradores potamódromos, que ainda possuem importantes populações nos nossos rios e algumas possuem grande relevância para a pesca lúdica.

 

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