Incêndios: Qualidade do ar atingiu níveis preocupantes nos últimos dias, com elevadas concentrações de partículas nas zonas Centro e Norte

qualar 040913Os recentes incêndios florestais com predominância nas zonas Centro e Norte do país, para além dos incomensuráveis prejuízos humanos, ambientais e materiais causados, estão a ter repercussões muito significativas na degradação da qualidade do ar. Um incêndio florestal é responsável por emissões muito significativas de partículas, monóxido de carbono, dióxido de carbono, óxidos de azoto, entre outros compostos prejudiciais à saúde humana e aos ecossistemas.


A análise de imagens de satélite e principalmente dos dados (não validados) das concentrações dos diferentes poluentes legislados e medidos nas diversas estações de monitorização de qualidade do ar presentes da base de dados www.qualar.org da Agência Portuguesa do Ambiente, permitiu à Quercus concluir que nas últimas semanas os incêndios florestais têm afetado gravemente a qualidade do ar, com impactes muito significativos na saúde das populações, nomeadamente em grupos sensíveis como crianças e idosos e pessoas com problemas respiratórios, e afetado muito a visibilidade em diversas zonas do país.


Partículas e índice de qualidade do ar - Porto Litoral é a zona do país com maiores problemas


qualar mapa040913Para efeitos de avaliação da qualidade do ar, o país encontra-se dividido em zonas, coincidindo algumas delas com áreas populacionais mais densas (as chamadas aglomerações). Apesar de grande parte do território ter sido afetado pelos fumos dos incêndios, são as áreas mais próximas aquelas onde a visibilidade e os efeitos na qualidade do ar mais se fazem sentir (o Centro e o Norte de Portugal), com valores de concentração de partículas excedendo sistematicamente, nas últimas semanas, o valor-limite diário, o que não é habitual.


Na zona do Porto Litoral, desde 28 de Agosto inclusive, em todos os dias exceto dois, o índice de qualidade do ar verificado tem sido "fraco". Ontem, dia 4 de Setembro, 20 das 25 estações de monitorização nas regiões Centro e Norte apresentaram valores médios diários superiores ao limite. A concentração média de partículas inaláveis (PM10) em Vila Nova da Telha / Maia foi de 161 µg/m3, com um máximo horário de 486 µg/m3. Na zona do Porto Litoral, desde 28 de Agosto inclusive, em todos os dias exceto dois, o índice de qualidade do ar verificado tem sido "fraco".


Ozono: 64 ultrapassagens nos últimos 6 dias


Entre 29 de agosto e 4 de setembro, a intensa radiação solar e as elevadas temperaturas associadas às emissões de poluentes que conduzem à formação de ozono, levaram à ocorrência de 64 ultrapassagens do limiar de informação de ozono em Portugal Continental. Anteontem (3 de Setembro), verificou-se mesmo no concelho de Estarreja uma ultrapassagem ao limiar de alerta.


Como as ultrapassagens aos limiares têm um curto período (entre uma hora a algumas horas) os avisos têm de ser rápida e eficazmente transmitidos à população. Isso só pode ser feito através das rádios nacionais, rádios locais e televisões com uma forte componente de informação. Infelizmente isso não está a acontecer e as populações não estão a ser avisadas como seria de esperar.


A Quercus considera que é indispensável um sistema que obrigue determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos, à semelhança do que acontece noutros países. Mais ainda, é fundamental que o Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia assegure os recursos humanos necessários para garantir que sejam feitos os avisos à população durante o fim-de-semana (o que presentemente não acontece em áreas como a região de Lisboa e Vale do Tejo).


Quercus apela a maior esforço de informação pelas entidades competentes


As próprias entidades responsáveis pela saúde, em particular a Direção Geral de Saúde, fazem apenas referências esporádicas na comunicação social às questões relacionadas com a má qualidade do ar decorrente dos incêndios, pelo que a Quercus apela a um maior esforço de informação e de recomendações à população, no sentido de minimizar mais este prejuízo indireto decorrente dos fogos florestais.

 

Lisboa, 5 de setembro de 2013
A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

Notas aos editores:


Sobre as partículas inaláveis
As partículas podem ter origem natural ou antropogénica, ou formarem-se a partir de outros poluentes emitidos para a atmosfera. Os incêndios e as tempestades de areia são exemplos de fontes de emissão significativa de partículas de origem natural, enquanto determinadas indústrias e principalmente o tráfego rodoviário, são responsáveis pelas emissões de origem antropogénica.


Os efeitos das partículas estão relacionados com a sua composição muito diferenciada e que pode conter compostos perigosos para a saúde, sendo que quanto menor for o seu tamanho, maior é o risco associado, dado que se introduzem mais facilmente no organismo através dos pulmões, não ficando retidas nos órgãos respiratórios superiores.

 

As partículas causam o aparecimento e/ou o agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares agudos e crónicos, agravamento da asma, podendo ser carcinogénicas. São ainda responsáveis por uma redução da esperança de vida, em função do tamanho, das concentrações verificadas e do tempo de exposição. Quando se verificam elevadas concentrações, as precauções passam por permanecer em casa ou noutros locais fechados e não fazer atividade física intensa.


Para as partículas inaláveis (PM10), e de acordo com a legislação, o valor-limite diário é de 50 μg/m3não podendo ser excedido mais de 35 dias num ano, enquanto o valor-limite anual é de 40 μg/m3.


Sobre o ozono troposférico ou de superfície

O ozono é um poluente secundário que se forma a partir de outros poluentes como os óxidos de azoto (emitidos pelos tráfego rodoviário e pela combustão na indústria) e os compostos orgânicos voláteis (emitidos pelo tráfego rodoviário e também por determinado tipo de espécies florestais). A formação de ozono é condicionada por forte radiação solar e elevadas temperaturas.


Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos nos pulmões, inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma. São particularmente os grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias) que podem sofrer consequências mais graves. Quando se verificam elevadas concentrações, as precauções passam por permanecer em casa ou noutros locais fechados e não fazer atividade física intensa.


De acordo com a legislação, existem dois limiares de informação obrigatória à população: o limiar de informação ao público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 180 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas pelos grupos sensíveis; e o limiar de alerta do público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 240 μg/m3, devendo as precauções ser tomadas por toda a população.

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