Governo Regional obriga a reduzir incinerador de S. Miguel após comprovar que as contas da Associação de Municípios estavam erradas

incineradorNa reunião que teve lugar no passado dia 30 de Abril com a Secretaria Regional dos Recursos Naturais dos Açores (SRRNA) a Quercus foi informada que os serviços do Governo Regional consideram que o incinerador proposto pela Associação de Municípios de Ilha de São Miguel (AMISM) estava sobredimensionado e que tem de ser substancialmente reduzido, confirmando assim o alerta feito pela Quercus sobre o exagero das contas da AMISM.

 

Face a esta constatação, a Secretaria Regional pretende que a AMISM reduza a capacidade do incinerador em 50 mil toneladas/ano, passando de 138 mil para 88 mil toneladas. Esta alteração deve-se a graves erros na conceção do projeto que contabilizavam resíduos industriais que efetivamente não existem.

 

A Secretaria Regional informou igualmente que a AMISM também vai ter de reduzir o incinerador porque tem de cumprir a meta comunitária de 50% de reciclagem dos resíduos urbanos que foi imposta pelo Governo Regional na sequência do processo de Avaliação de Impacte Ambiental deste projeto, ficando assim demonstrado que a Quercus também tinha razão quando alertou o Governo Regional para este assunto.

 

A Secretaria Regional considera ainda que a AMISM vai ter de recorrer a sistemas de triagem de materiais recicláveis e de reciclagem de resíduos orgânicos de forma a poder atingir pelo menos os 50% de reciclagem, admitindo a possibilidade de se recorrer à instalação de um sistema de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) a montante do incinerador, sistema que a Quercus vem defendendo há vários anos.

 

A Quercus aproveitou para informar a SRRNA de que em termos económicos e ambientais a unidade de TMB a instalar deve tratar a totalidade dos resíduos indiferenciados, porque só dessa forma se pode maximizar o aproveitamento económico dos materiais recicláveis e atingir elevadas taxas de reciclagem.

 

A Quercus informou ainda que de acordo com os dados dos TMB mais eficientes existentes em Portugal (caso da Valnor no Distrito de Portalegre) é possível reciclar cerca de 65% dos resíduos urbanos, obtendo-se receitas significativas da venda dos materiais recicláveis e da produção de energia renovável (biogás) a partir de resíduos orgânicos.

 

Com este processo, só iriam para incineração cerca de 35% dos resíduos urbanos, reduzindo-se assim substancialmente os custos para as autarquias, uma vez que o custo de investimento no TMB é substancialmente inferior à poupança gerada com a redução da dimensão do incinerador.

 

Ponta Delgada, 3 de Maio de 2013

 

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

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