Emissões de gases com efeito de estufa sofrem redução de 4 milhões de toneladas

A Quercus analisou os dados de produção e consumo de electricidade em 2010, recorrendo a informação disponibilizada pelas Redes Energéticas Nacionais (REN) relativos à totalidade desse ano. Em 2010, estima-se que o aumento do PIB rondou os 1,5%, enquanto que o consumo de electricidade atingiu mais do dobro (3,3%). À excepção de 2007, Portugal não tem conseguido inverter esta tendência. Isto é, continua a precisar de mais electricidade para produzir uma unidade de riqueza.

 

Quercus faz análise dos dados de produção e consumo de electricidade em 2010

 

A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza recorreu aos dados disponibilizados pelas Redes Energéticas Nacionais (REN) relativos à totalidade do ano de 2010.

 

Portugal está sujeito a uma enorme variabilidade climática com incidência quer no recurso à produção de electricidade a partir de fontes renováveis (em particular à hídrica), quer nas necessidades de aquecimento e arrefecimento, nos sectores doméstico e de serviços, que condicionam o consumo. Estes factos foram determinantes no ano de 2010, onde o peso das energias renováveis foi o mais elevado de sempre nos últimos anos, principalmente devido a ter sido um ano muito húmido com forte produção hidroeléctrica (mais 88,4% que em 2009), mas também devido ao aumento da produção eólica em cerca de 20%.

 

Portugal menos eficiente – consumo de electricidade aumentou 3,3%; intensidade energética (na electricidade) continua a aumentar

 

Entre os aspectos pertinentes da análise efectuada está o facto do consumo de electricidade ter aumentado a um ritmo bem mais acelerado que a variação prevista para o Produto Interno Bruto. Em 2008 o aumento de consumo de electricidade foi de 1%, mas superior à variação do PIB (0,3%). Em 2009, resultado do abrandamento da actividade económica, o PIB contraiu-se 2,7% em relação a 2008, mas o consumo de electricidade apenas se reduziu em 1,4%. Em 2010, estima-se que o aumento do PIB rondará os 1,5%, enquanto que o consumo de electricidade atingiu mais do dobro (3,3%). A relação entre o consumo de electricidade e o PIB denomina-se por intensidade energética (neste caso limitada à electricidade) e é um indicador de eficiência. À excepção de 2007, Portugal não tem conseguido inverter esta tendência. Isto é, continua a precisar de mais electricidade para produzir uma unidade de riqueza.

 

A Quercus considera que o Governo deverá dar muito maior ênfase às medidas na área da redução de consumos e eficiência energética, medidas aliás com maior custo-eficácia que os próprios investimentos em energias renováveis, e onde o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética (PNAEE) é um elemento fundamental, cujas medidas precisam de ter maior expressão prática. A Quercus tem apelado à Direcção Geral de Energia e Geologia para procurar dar respostas públicas sobre o porquê do aumento sistemático e elevado do consumo de electricidade em 2010.

 

Record na energia eléctrica de origem renovável (53,2%) e forte quebra nas emissões de gases com efeito de estufa (4 milhões de toneladas)

 

O valor real da percentagem de electricidade produzida a partir de fontes renováveis em 2010 foi de 53,2% (por comparação com 36,5% em 2009 e 27,8% em 2008) – um aumento muito significativo, sendo o valor mais elevado registado este século. Note-se, no entanto, que se o consumo de electricidade estivesse estabilizado nos valores de 2006, a percentagem de electricidade renovável estaria já nos 56,5%.

 

Quanto a emissões de dióxido de carbono, responsáveis pelas alterações climáticas, e em pleno período de cumprimento do Protocolo de Quioto por Portugal, que se estende até 2012, a Quercus estima uma redução em perto de 4 milhões de toneladas de emissões. Tal significa cerca de 6,5% do nosso valor base de 1990 para efeitos do cumprimento de Quioto. Uma das constatações mais significativas é a redução das emissões das centrais térmicas a carvão de Sines e Pego (menos 45% em 2010 por comparação com 2009), devido à sua menor produção de electricidade, face ao peso que a grande hídrica teve em 2010.

 

Outros indicadores seleccionados / calculados pela Quercus

 

- Entre 2009 e 2010, o aumento da produção de electricidade de origem eólica continuou a ser relevante (20,4%), apesar de menos significativo por comparação com o aumento verificado entre 2008 e 2009 (31,6%).

- A produção de energia eléctrica de origem fotovoltaica aumentou em 2010 cerca de 50% em relação ao ano anterior, devido principalmente ao programa “renováveis na hora”, apesar de ter ainda um papel irrelevante como fonte renovável de electricidade.

- O recurso à bombagem hidroeléctrica, que corresponde à passagem de água de uma albufeira a uma cota mais baixa para uma albufeira principal mais elevada, para fazer uso de energia em excesso a menor preço durante a noite para produção em períodos de ponta, reduziu-se em 45%, o que levanta questões sobre a justificação de muitas das novas barragens cujo ênfase é a sua futura utilização nesta valência da contra-bombagem por causa nomeadamente do excesso de produção eólica; os dados de 2010 revelam que é possível uma gestão cuidada do sistema, recorrendo inclusive a menor bombagem.

- Portugal entre 2009 e 2010, reduziu o saldo importador de electricidade em cerca de 45% de 9,6% para 5,0% do consumo.

 

Lisboa, 10 de Janeiro de 2011

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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