Quercus acusa EDP e Governo de negligenciarem o Património Mundial

A Quercus exige ao Governo, uma vez mais, que pare definitivamente a construção da barragem de Foz Tua. Perante o risco do Alto Douro Vinhateiro perder a classificação de Património da Humanidade pela UNESCO, a Quercus não aceita que a solução seja a contratação de um arquitecto premiado. Ao contrário do que a EDP tem vindo a afirmar, o paredão da barragem situa-se dentro da região classificada como Património Mundial e não há arquitecto nenhum no mundo que o consiga enquadrar com os valores envolventes.

 

Compatibilizar a paisagem classificada do Vale do Tua com a barragem e as várias estruturas associadas é uma missão impossível.

 

Quercus apela ao Governo que não permita que seja a EDP a ditar o futuro da região do Vale do Tua

 

O estudo de impacto ambiental e a avaliação feita por vários outros organismos e associações revelam fortes e irreversíveis impactes no Vale do Tua devido à construção da barragem, algo confirmado também pela UNESCO, através do relatório do ICOMOS (Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) agora revelado. Este relatório faz também duras críticas à actuação do Governo português. A Quercus considera que o Governo está actuar de forma irresponsável, negligenciando a perda da classificação e escondendo informação. Exige-se assim transparência no processo tanto da parte do Governo como da UNESCO e pretende ser informada atempadamente das decisões relativas ao futuro da região em causa.  O Governo vem rejeitando os vários argumentos de peso que se vão somando contra a barragem de Foz Tua por não querer devolver o dinheiro que já recebeu com a adjudicação deste empreendimento, mas sabendo que a médio e longo prazo esta barragem irá sair muito mais cara que o preço de interromper agora a sua construção.

 

A barragem de Foz Tua irá submergir o Vale do Tua e a linha férrea centenária mas os impactos vão além do património ambiental e edificado. Há impactes sociais como o aumento do isolamento das populações e a perda de mobilidade e também impactes económicos ainda por esclarecer mas que apontam para um aumento da factura de electricidade e ao pagamento de entre 16 a 20 mil milhões de euros pelos consumidores. Este é mais um custo que se soma a outros associados à produção de energia eléctrica, que se irá reflectir num aumento da tarifa ou do défice tarifário já existente.

 

O Governo ainda está a tempo de reverter a decisão de construção da barragem de Foz Tua. Parar agora esta obra é 30 vezes mais barato do que deixá-la avançar.

 

 

Lisboa, 7 de Dezembro de 2011

 

A Direcção Nacional da

 

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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