ONGs europeias pedem ao G20 que integre a sustentabilidade ambiental nas soluções para a crise financeira

Em vésperas da cimeira mundial sobre a economia e finanças em Washington em 15 de Novembro, o European Environmental Bureau (EEB), a maior federação de organizações ambientais de cidadãos da Europa [1], solicita a inclusão de critérios ecológicos em qualquer pacote que seja concebido para ajudar o mundo a sair da actual crise financeira global.´Numa carta dirigida aos chefes dos governos europeus e à Comissão (em anexo), o EEB lançou um apelo a uma solução que seja realmente sustentável em todos os aspectos.

 

Como representantes de milhões de cidadãos europeus profundamente preocupados com a destruição do capital natural do qual as nossas economias dependem em última análise", afirmou Mikael Karlsson, Presidente do EEB "pedimos à UE e às instituições no mundo inteiro para não abandonarem os objectivos do desenvolvimento sustentável enquanto combatem a crise financeira."

 

As organizações ambientalistas temem que, num esforço para conseguir soluções rápidas, os dirigentes cedam à tentação de colocar demasiada ênfase nos ganhos de curto prazo em vez de concentrar a atenção nas necessidades a longo prazo dos trabalhadores, do ambiente e da manutenção e reforço da capacidade de carga dos ecossistemas e da sociedade como um todo. O EEB pede por isso que a sustentabilidade social e ambiental não deixem de ser incluídos em qualquer nova arquitectura reguladora financeira.

 

O EEB lembra que tal como o que sucede com o capital monetário, o capital natural mundial tem sido exposto a uma especulação gananciosa para obter lucros a curto prazo. Tal como a concessão de crédito não tem sido baseada em ganhos reais, também o nosso consumo de recursos naturais durante as últimas décadas tem sido superior à capacidade de carga do planeta Terra. Comparando, estamos a viver à custa de crédito de capital natural que já temos dificuldade em pagar. Este duplo comportamento insustentável tem de ser abordado a partir de ambos os lados.

 

"As soluções que sugerimos já estão de facto ao nosso alcance", afirmou John Hontelez, Secretário-Geral do EEB. "Exigir relatórios de sustentabilidade ambiental e uma indexação criteriosa para as grandes empresas nas bolsas de valores; aplicar verbas públicas em soluções inovadoras já disponíveis actualmente na área da energia, transportes, habitação e agricultura; realizar contratos e compras públicas ecológicas; facilitar o acesso ao capital para investimentos verdes inovadores; encorajar alterações tributárias que reduzam os custos do trabalho e aumentem os custos da utilização de recursos e poluição - estas são apenas algumas ferramentas que devem estar em cima da mesa durante a discussão de soluções na área financeira para esta crise".

 

As ONGs membros do EEB esperam que a União Europeia mantenha uma posição de liderança nas negociações e tenha a coragem de promover mecanismos de verdadeira sustentabilidade global, ou seja, sustentabilidade nos planos económico, social e ambiental.

 

 

[1] O European Environmental Bureau é a maior federação europeia de organizações ambientais de cidadãos, actualmente composta por mais de 150 organizações-membro, com uma base de apoio superior a 15 milhões de cidadãos.

 

 

*ONGs Portuguesas no EEB: C.P.A.D.A. - Confederaçăo Portuguesa das Associaçőes de Defesa do Ambiente;  GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN - Liga para a Protecção da Natureza;  N.P.E.P.V.S.. Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem; QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza.

 

 

 

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