Comunicação Social: faltam mecanismos de alerta obrigatório sobre casos de poluição grave

A Quercus identificou o período que decorreu entre 15 e 18 de Julho como os piores dias em termos de poluição por ozono deste ano. Uma conclusão feita a partir da consulta do site do Ministério do ambiente (www.qualar.org), que disponibiliza informação sobre a qualidade do ar. Apesar desses dados não serem considerados validados, a realidade não deverá ser muito diferente após a verificação por parte dos técnicos das diferentes situações.

 

O ozono é um poluente secundário que se forma a partir de outros poluentes como os óxidos de azoto (emitidos pelos tráfego rodoviário e pela combustão na indústria) e os compostos orgânicos voláteis (emitidos pelo tráfego rodoviário e também por determinado tipo de espécies florestais). A formação de ozono é condicionada por forte radiação solar e elevadas temperaturas, pelo que as condições meteorológicas da última semana foram absolutamente determinadas, associadas à emissão dos poluentes primários que conduzem à formação de ozono à superfície. Os incêndios nalgumas regiões podem também ter um papel determinante nas elevadas concentrações registadas.

Os efeitos na saúde à exposição de curto prazo a elevadas concentrações de ozono passam por danos aos pulmões e inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de ataques de asma. São particularmente os grupos sensíveis (crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias) que podem sofrer consequências mais graves. Quando se verificam elevadas concentrações as precauções passam por permanecer em casa ou noutros locais fechados e não fazer actividade física intensa.
De acordo com a legislação há dois limiares de informação obrigatória à população:

- o limiar de informação ao público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 180 mg/m3, devendo as precauções ser tomadas pelos grupos sensíveis;

- o limiar de alerta do público, quando se verifica um valor horário de ozono superior a 240 mg/m3, devendo as precauções por toda a população.

 

20 horas de excedência ao limiar de informação ao público ontem, dia 18 de Julho; 42 horas de excedência ao mesmo limiar entre terça-feira e sexta-feira.

 

Desde o Norte até à região de Lisboa e Vale do Tejo, as temperaturas mais elevadas de ontem causaram no país a excedência em 20 horas ao limiar de informação ao público do ozono. Vouzela na Região Centro foi o caso pior com 8 horas de ultrapassagem. O valor mais elevado foi verificado em Lamas de Olo, 236 mg/m3, entre as 7 e as 8 da noite de ontem, já próximo do limiar de alerta (dados de ontem no final do comunicado).

 

Para além dos elevados níveis de ozono, também os níveis de partículas em vários locais do país se têm apresentado acima do valor-limite diário de 50 mg/m3.

 

Quercus exige articulação entre entidades regionais do Ministério do Ambiente e a comunicação social – avisos NÃO ESTÃO a chegar às populações.

 

A população pode consultar os níveis de ozono medidos através da rede de monitorização de qualidade do ar no site do Ministério do Ambiente www.qualar.org. Porém, é obrigação das entidades regionais do Ministério (as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) avisarem as outras autoridades e a população através da comunicação social, facto que sabemos habitualmente acontecer.

 

As concentrações mais elevadas verificam-se em geral da parte da tarde, na sequência da transformação dos poluentes emitidos durante a manhã e devido às reacções químicas que ocorrem devido à intensa radiação solar e temperatura.
Como as ultrapassagens aos limiares têm um curto período (entre uma hora a algumas horas) os avisos têm de ser rápida e eficazmente transmitidos à população. Isso só pode ser feito através das rádios nacionais nos seus noticiários, rádios locais e televisões com uma forte componente de informação. Infelizmente isso não está a acontecer e as populações não estão a ser avisadas como seria de esperar. Tal deveria ser enquadrado por um sistema que obrigasse determinados órgãos chave da comunicação social a transmitir estes avisos à semelhança do que acontece noutros países. Não é lendo nos jornais do dia seguinte a informação do que se passou que se é efectivo na prevenção em termos de saúde pública.

Previsão da qualidade do ar para o dia seguinte deveria ser divulgada para população estar de sobreaviso.

 

Actualmente, e da mesma forma que se disponibiliza a previsão meteorológica, a Quercus apela a que se faça um maior uso e divulgação da previsão do índice de qualidade do ar disponibilizado diariamente ao fim da tarde para o dia seguinte para as áreas mais populosas do país pela Agência Portuguesa de Ambiente com a colaboração da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Aveiro em http://www.prevqualar.org/jsp/pt/previsao_cidades.jsp).

 

 

Lisboa, 19 de Julho de 2008

 

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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