QUERCUS e MPI apelam aos Municípios do Oeste para não se decidirem pela incineração sem terem em conta o estudo sobre reciclagem com minhocas

A Quercus e o MPI – Movimento Pró Informação para a Cidadania e Ambiente apelam hoje aos Municípios do Oeste para que na reunião da próxima 6ªfeira não decidam já pela adesão da Resioeste à Valorsul sem antes consultarem um estudo sobre reciclagem com minhocas que já encomendaram e está quase concluído.

 

Esse estudo propõe o tratamento dos resíduos urbanos através da vermicompostagem (compostagem com minhocas), processo muito económico que permite reciclar cerca de 80% dos resíduos, uma vez que as minhocas comem tudo o que é orgânico limpando os outros materiais (plástico, vidro e metais) que assim também podem ser reciclados.

 

Este processo apresenta, pois, as seguintes vantagens económicas e ambientais:

 

- É um processo muito barato com custos que rondam os 20 euros a tonelada, ou seja, menos do que o envio para aterro ou para incineração na Valorsul;

 

- É um processo ecologicamente quase perfeito uma vez que recicla cerca de 80% dos resíduos sem a emissão de cheiros ou águas residuais;

 

- É de rápida implementação, uma vez que não necessita de Estudo de Impacte Ambiental;

 

- Permite acabar com os maus cheiros no aterro do Cadaval, uma vez que os poucos resíduos a colocar em aterro já não possuem matéria orgânica;

 

- Aumentaria em 5 vezes o tempo de vida do aterro do Cadaval;

 

- Permitiria o desenvolvimento de um parque industrial de indústria de reciclagem no Cadaval com a instalação de uma unidade de triagem automática de embalagens, de uma unidade de vermicompostagem e de unidades de reciclagem de plásticos e outros resíduos;

 

- Reduz substancialmente os custos ambientais e económicos do transporte dos resíduos, uma vez que a tecnologia da vermicompostagem permite a instalação de unidades mais pequenas, ou seja mais perto dos produtores de resíduos;

 

- Tem o apoio da Sociedade Ponto Verde para maximização da reciclagem de embalagens;

 

- Neste momento em Portugal encontram-se em construção já duas unidades deste tipo em Guimarães e Beja em colaboração com as associações de municípios da AMAVE (Vale do Ave) e AMALGA (Alentejo).

 

Pelo contrário, a fusão da Resioeste com a Valorsul apresenta muitas questões económicas ainda por esclarecer e grandes desvantagens ambientais:

 

- A Valorsul diz que com a fusão o custo do tratamento será de 23 euros a tonelada, mas com a condição de deixar de receber resíduos da Tratolixo (Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra), mas o facto é que nos próximos anos a Tratolixo vai continuar a enviar 100 mil toneladas por ano para a Valorsul, pelo que a Valorsul não tem espaço para receber os resíduos do Oeste, e assim não apresenta garantias de que vai manter os 23 euros;

 

- A Valorsul tem argumentado que para fazer face à ausência de capacidade de tratamento dos resíduos do Oeste irá construir uma nova linha de incineração, só que segundo o Ministério do Ambiente não haverá mais financiamento comunitário para incineração e por outro lado a nova legislação sobre energias renováveis estabeleceu uma forte redução do preço da energia vendida pelos incineradores;

 

- O custo de 23 euros por tonelada para as autarquias na Valorsul também tem sido conseguido através de tarifas elevadas para os produtores privados (50 euros), só que isso vai acabar uma vez que se estão a instalar novas unidades de vermicompostagem que permitem a reciclagem desses resíduos a preços mais baixos do que a incineração;

 

- Em termos ambientais a proposta de fusão da Valorsul com a Resioeste prevê a incineração e colocação em aterro de cerca de 85% dos resíduos e a reciclagem de apenas 15%, o que vai contra todas as indicações comunitárias que vão no sentido de se aumentar substancialmente a reciclagem;

 

- A aposta na incineração e no aterro irá ser gravosa para os municípios em termos económicos uma vez que se prevê que, tal como já se passa no resto da Europa, haja um aumento das taxas a cobrar pelo Estado em relação aos resíduos colocados em aterro ou incinerados, como forma de incentivar a reciclagem e a redução da emissão de gases de efeito de estufa.

 

Face ao exposto a Quercus tem já agendadas várias reuniões com municípios do Oeste para dar a conhecer estes o outros factos relevantes que devem pesar na decisão das autarquias sobre o futuro da gestão dos resíduos do Oeste.

 

 

 

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