Estudo Quercus Ecofamílias: Como se gasta a energia no sector residencial?

O programa EcoFamílias está a ser desenvolvido no âmbito do projecto EcoCasa (www.ecocasa.org) da responsabilidade da Quercus – Associação Nacional da Conservação da Natureza. Este programa está a acompanhar 30 famílias – as EcoFamílias –, num total de 82 pessoas, residentes nos concelhos de Lisboa, Oeiras e Sintra pretende avaliar os consumos energéticos no sector doméstico, para além de implementar medidas com vista à redução de consumos.

 

A avaliação do comportamento energético das EcoFamílias está a ser efectuada através da medição real dos consumos de electrodomésticos e outros equipamentos, bem como dos hábitos de utilização dos mesmos. Recorre-se também à medição dos níveis de temperatura e humidade das habitações e análise das suas características. São igualmente efectuadas leituras dos contadores de electricidade, gás e água. Outro aspecto em análise é a utilização de equipamentos de energias renováveis ao nível doméstico e a sua influência na factura energética. 

 

O programa EcoFamílias, com duração de um ano, entre Novembro de 2005 e Outubro de 2006 foi dividido em duas fases: a primeira fase de diagnóstico (duração de 9 meses) e a segunda de intervenção com vista a alteração de comportamentos (duração de 3 meses). Com os dados recolhidos na primeira fase serão dados conselhos para a alteração de hábitos e substituição, se possível e necessário, de equipamentos e lâmpadas. A avaliação final do programa terá por base as alterações de comportamento verificadas e as diferenças passíveis de analisar na factura energética.

 

Este relatório de progresso pretende mostrar os resultados obtidos nos 6 primeiros meses da primeira fase do Programa – fase de diagnóstico – que decorreu entre Novembro de 2005 e Abril de 2006, bem como apontar alguns dos caminhos para a poupança energética com dados até ao momento. 

 

No período em análise foram realizadas 155 visitas às EcoFamílias e foram medidos os consumos de 235 equipamentos eléctricos, estando prevista até ao final do período do programa também a análise dos equipamentos a gás.

 

Do ponto de vista da construção, as EcoFamílias residem na maioria em apartamentos, construídos antes de 1990. A tipologia de parede exterior nas habitações das EcoFamílias é maioritariamente composta por parede simples (57%), sem isolamento. O sombreamento é feito pelo exterior, maioritariamente através de estores. A orientação solar destas habitações é predominantemente a Este e Oeste, quando seria mais indicado que fosse a Sul. 

 

Dos dados recolhidos e analisados até agora pode afirmar-se que o número de elementos das EcoFamílias não é directamente proporcional aos gastos energéticos da mesma. Os hábitos de utilização dos equipamentos e tempo de permanência na habitação são factores mais determinantes nestes consumos.

 

Todas as EcoFamílias possuem frigorífico ou combinado, máquina de lavar roupa e televisão. O computador e aparelhagem de som estão presentes em mais de 80% delas. Os equipamentos identificados e avaliados foram agrupados nas seguintes categorias: Climatização, Cozinha, Entretenimento, Frio, Iluminação, Informática e Telecomunicações, Máquinas e Outros.

 

Para este relatório foram analisados os dados obtidos para consumos eléctricos dos grupos de Entretenimento e Informática e Telecomunicações. Nos outros grupos alguns equipamentos foram analisados individualmente, como o caso do micro-ondas (que representam 1 a 3% do consumo da electricidade), frigorífico/combinado (8% em média) e máquina de lavar roupa (abaixo dos 10%). 

 

O grupo de entretenimento, composto pela televisão, aparelhagem de som, vídeo/DVD, apresenta consumos na ordem dos 16 kWh/mês, em média por EcoFamília, que corresponde a 5% da factura mensal de electricidade. O grupo de informática apresenta valores de consumo num intervalo maior entre 1 e 40 kWh/mês. O consumo de electricidade médio mensal das EcoFamílias é de 418 kWh.

 

Pela análise dos dados pode afirmar-se que a utilização dos equipamentos eléctricos não tem uma relação directa entre o número de pessoas que habitam uma casa. Outro dado que se pode retirar é que a maioria dos equipamentos apresentam consumos fantasma e/ou de stand-by. As lâmpadas incandescentes ainda são o tipo de lâmpadas mais presente nas habitações em estudo. Em média por quarto, existem 6 lâmpadas.

 

As EcoFamílias já têm, em 82% dos casos, abastecimento por gás natural, apresentando um consumo médio de 34 m3 (n) GN/mês, sendo as que possuem sistemas de aquecimento central a gás aquelas que apresentaram maiores consumos. Devido às especificidades dos aparelhos e consumos de gás, tal como já foi referido anteriormente, uma análise mais detalhada destes apenas fará parte apenas do relatório final.

 

A avaliação da temperatura e da humidade em determinadas assoalhadas das EcoFamílias permitiu, ainda que de forma limitada, verificar pela observação de alguns agregados familiares a necessidade de recorrer de modo sistemático a aquecimento no período de Inverno. No interior da maioria das habitações a temperatura de conforto é menor em relação ao que seria desejável (18 ºC), oscilando bastante em função da temperatura exterior, o que mostra problemas de isolamento.

 

Relacionado com este aspecto, pode afirmar-se que o irradiador a óleo é o equipamento para aquecimento mais utilizado nas EcoFamílias e que o desumidificador se encontra presente com maior frequência nas residentes no concelho de Sintra.

 

No que respeita às emissões de gases de efeito de estufa (em particular de dióxido de carbono) associadas aos consumos de electricidade e gás, verificou-se uma variação muito significativa de emissões entre famílias, tal como já verificado nos consumos de energia. As emissões atingem nalgumas famílias valores próximos dos 800 Kg de CO2 /mês, o que se pode traduzir como uma emissão equivalente a 160 lâmpadas incandescentes de 60W ligadas 4 horas por dia, durante um mês.

 

A partir dos dados recolhidos foram avaliados os potenciais de poupança energética das EcoFamílias, nos equipamentos eléctricos. As reduções nos consumos energéticos passam pela eliminação de alguns consumos de stand-by e fantasma (10 a 50%), substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas (até 70%) e a substituição do contador simples pelo Bi-Horário.

 

Estas são áreas onde a alteração de comportamentos levará ao aumento da eficiência energética nestas famílias, com consequência directa na diminuição do valor das facturas energéticas e nos ganhos ambientais associados. 

 

Para que os potenciais de poupança se convertam em reduções efectivas dos consumos energéticos destas EcoFamílias, serão também dadas recomendações a vários níveis na segunda fase do programa nomeadamente na substituição de electrodomésticos, tendo por base de selecção a eficiência energética. 

 

A Direcção Nacional da

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

Lisboa, 15 de Setembro de 2006

 

 

 

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