Dia Mundial da Arquitectura e do Habitat Humano - Urgente Edifícios Menos Poluentes

No dia mundial da arquitectura e simultaneamente do habitat humano a Quercus chama a atenção da sociedade civil para a necessidade de uma arquitectura mais sustentável, directamente responsável pela qualidade do habitat humano.

 

Uma vez que cabe ao arquitecto a responsabilidade pelo desenho do ambiente construído, que se relaciona em grande parte com o habitat humano, essa coabitação, é indispensável.

 

De entre os vários impactes que influenciam negativamente o ambiente, estão os relacionados com a construção e utilização dos edifícios: produção de resíduos, consumo de energia, emissões de CO2 e consumo de recursos naturais.

 

Em Portugal, 28% da energia consumida e 59% da electricidade gasta (DGGE, 2003), verifica-se na utilização dos edifícios (atinge valores mais elevados se nos referirmos só aos grandes centros urbanos), estando por isso na base das emissões de CO2 e outros poluentes que afectam negativamente o ambiente. Grande parte desta energia refere-se aos sistemas de climatização, na maioria das vezes eléctricos, aplicados no interior dos edifícios para proporcionar conforto térmico necessário à qualidade do habitat humano.

 

A necessidade de que o desenvolvimento da sociedade possa prosseguir num sentido mais sustentável é imperativa. Está também nas mãos do arquitecto minimizar alguns impactes negativos ao ambiente, projectando edifícios que contemplem no seu desenho soluções passivas de captação energia, orientando-os predominantemente a Sul, prevendo áreas adequadas de envidraçados, por exemplo. A colocação de sombreamento pelo lado exterior dos envidraçados é fundamental para evitar ganhos térmicos desnecessários. 

 

No que respeita aos materiais de construção, a utilização de materiais mais sustentáveis, de origem natural, com baixo valor de energia incorporada*, reutilizáveis e/ou recicláveis é também uma necessidade. A opção por sistemas de encaixe na execução da obra, evitando colas ou outros aglutinantes, de modo a facilitar a sua desconstrução e reutilização, no final da vida útil do edifício é outra medida importante. 

 

Cabe ao arquitecto considerar logo de início a incorporação de equipamentos que aproveitem as energias renováveis como elementos de composição no desenho do próprio edifício, minimizando o consumo de energias mais poluentes.

 

Não podemos ainda deixar de referir a reabilitação de edifícios existentes como prioridade em relação à nova construção a fim de minimizar o crescimento desenfreado e muitas vezes desordenado do parque urbano. Uma forma de minimizar a extracção do meio terrestre, fluvial e marinho de grandes quantidades de inertes e a contínua impermeabilização de grandes áreas de solo indispensáveis para o equilíbrio natural. 

Verifica-se ainda a necessidade de inverter a lógica de segmentação social a que se tem assistido nos últimos anos: a coexistência de famílias sem as mínimas condições de habitabilidade e famílias detentoras de mais do que uma habitação são alguns dos sintomas. (Existe uma carência de 175 000 alojamentos, apesar dos 185 000 alojamentos vagos, INE 2001)

 

A arquitectura não pode nem deve ser encarada como uma mera construção de espaço; ela é muito mais do que isso, trata e influencia directamente todo o habitat humano que, tanto quanto possível, deve viver em harmonia com a natureza.

 

* Entende-se por energia incorporada num material, toda a energia dispendida desde a extracção da matéria-prima até à forma final do material apto a ser utilizado. 

 

 

Lisboa, 01 de Outubro de 2006

A Direcção Nacional da Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

 

 

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