As nações do mundo iniciam combate às alterações climáticas com a entrada em vigor do Acordo de Quioto

Quioto, Japão/Lisboa, Portugal, 16 de Fevereiro de 2005 – Associações ambientalistas de todo o mundo dão as boas-vindas ao amanhecer de uma nova era na protecção do clima com o Protocolo de Quioto a tornar-se realidade, correspondendo ao início dos primeiros passos por parte da comunidade internacional na redução das emissões de gases de efeito de estufa e no combate às alterações climáticas (1).

 

Governos, representantes oficiais, negócios e grupos ambientalistas à volta do mundo marcam a entrada em vigor do Protocolo com discursos, exibições, festas e manifestações. No entanto, ao mesmo tempo que decorrem as celebrações, é do reconhecimento geral que as reduções no Tratado são apenas o começo e que o mundo, partindo do Protocolo de Quioto, deverá assumir cortes muito maiores nas emissões.

 

“Este é um momento histórico na protecção do clima” disse Francisco Ferreira da Direcção Nacional da Quercus. “Demorou mais de dez anos para chegar aqui. Mas não nos entusiasmemos demasiado – temos pouco tempo para fazer valer os objectivos do tratado. Agora é tempo do mundo meter mãos-à-obra e trabalhar em soluções reais para as alterações climáticas. Todas as novas evidências que têm vindo a ser divulgadas sobre o aquecimento global dão ênfase á urgência da situação”.

 

As anteriores emissões de gases de efeito de estufa significam que o mundo não poderá evitar um aumento de temperatura de 1,3 ºC acima dos níveis pré-industrais. Se as temperaturas aumentarem 2º C, os impactes das alterações climáticas serão catastróficos. Para permanecermos abaixo deste nível perigoso, os países industrializados deverão fazer um esforço de redução muito para além do fixado no Protocolo de Quioto, atingindo reduções de pelo menos 30% em 2020 e 60-80% na década de 2050, e daí em diante, tendo por base o ano de 1990.

 

“A entrada em vigor de Quioto é o sinal que os governos e a indústria têm vindo a aguardar. Há agora um preço na poluição” disse Helder Spínola, Presidente da Direcção Nacional da Quercus. “As ferramentas para manter as alterações climáticas sob controlo estão desenvolvidas, tais como as fontes de energia renovável e a exploração do enorme potencial da eficiência energética.”

 

“A União Europeia deve continuar a estender a sua liderança, e marcar um caminho claro no sentido das energias renováveis e da eficiência energética”, reforçou Hélder Spínola. “Os líderes Europeus devem compreender que a competitividade é atingida através da inovação e não recorrendo a tecnologias destrutivas como o uso de carvão.”

 

Em forte contraste com a inovação que conduz a Europa e o Japão, os Estados Unidos e a Austrália continuam a negar a extensão da ameaça climática. Com o resto do mundo a desenvolver tecnologias amigas do clima, os negócios americanos e australianos estão em risco de ficarem para trás.

 

 

 

Notas para os editores: (1) O aumento das temperaturas globais é a causa de eventos meteorológicos extremos, incluindo secas, tempestades, cheias e a subida do nível do mar. Grandes empresas como as dos sectores do petróleo e gás, bem como as companhias de produção de electricidade são responsáveis por mais de 50% das emissões de gases de efeito de estufa. Mais de 340 organizações não-governamentais de ambiente organizadas na Rede de Acção Climática (Climate Action Network), entre elas a Quercus, apelas a uma redução de emissões de gases de efeito de estufa pelos países industrializados na ordem dos 60 a 80% (em relação aos níveis de 1990) até a metade desde século, muito para além dos objectivos do Protocolo de Quioto. As associações estão a celebrar a entrada em vigor do Protocolo de Quioto com eventos em cidades em todo o mundo.

 

Para mais informações: Francisco Ferreira, Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, telemóvel 96-9078564. Para mais informações sobre os eventos organizados pela Rede de Acção Climática à volta do mundo, e para sites com informação sobre o Protocolo de Quioto e alterações climáticas visite: www.climatenetwork.org. Comunicado anterior: Protocolo de Quioto entra em vigor – Quercus associa-se a dezenas de acções em todo o mundo

 

 

 

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