Plataforma SABOR LIVRE realiza megaconcentração pela Biodiversidade

A Plataforma Sabor Livre irá promover uma grande concentração contra a possibilidade de realização da barragem do Baixo Sabor e convida os órgãos de Comunicação Social para estarem presentes na Ponte de Remondes, junto a Mogadouro, no dia Mundial da Biodiversidade (sábado, 22 de Maio), pelas 15h.

 

A Plataforma Sabor Livre é constituída pelas associações QUERCUS (Associação Nacional de Conservação da Natureza), LPN (Liga para a Protecção da Natureza), Fapas (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens), GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), OLHO VIVO e SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves). 

 

Numa altura em que a Avaliação comparada dos Empreendimentos do Baixo Sabor e Alto Côa encontra-se em plena fase de apreciação, estando anunciada uma tomada de posição pelo governo no próximo dia 27 de Maio, a Plataforma Sabor Livre vai realizar uma actividade de grandes dimensões no rio Sabor nos dias 22 e 23 de Maio para mostrar todas as suas valias naturais e excepcionais potencialidades para um turismo de qualidade de contacto com a natureza.

 

Esta actividade inclui no dia 22 uma concentração junto à Ponte de Remondes (Mogadouro), onde se realizará um conjunto alargado de actividades de contacto com a natureza, nomeadamente visitas guiadas à flora e vegetação, observação de aves, anfíbios e répteis, passeios de burro, btt e canoa, jogos tradicionais e diversas actividades com crianças.

 

Paralelamente, será também realizada uma descida de canoa por parte de um grupo de canoístas, que pretende mostrar que o rio apresenta condições excepcionais para desportos de águas bravas. No dia 23 será realizado um passeio a pé ao longo do vale do Sabor. Todas as refeições serão constituídas por produtos gastronómicos e pratos típicos da região. A adesão a esta iniciativa tem sido muito grande, encontrando-se já inscritas mais de 250 pessoas! Todos os estudos técnicos demonstram que a opção do Baixo Sabor é ilegal e altamente gravosa para o ambiente. 

 

O parecer do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) no âmbito do processo da Avaliação Comparada dos Aproveitamentos Hidroeléctricos do Baixo Sabor e do Alto Côa, vem de encontro às conclusões anteriormente apresentadas pela Plataforma Sabor Livre durante o período de discussão pública, demonstrando inequivocamente que empreendimento do Baixo Sabor afectaria um maior número de espécies prioritárias para conservação, uma área proposta para Rede Natura 2000 (ZEC e ZPE) e uma maior área de RAN e REN do que o do Alto Côa, pelo que, segundo legislação comunitária e nacional, a barragem do Baixo Sabor é ilegal e não pode ser aprovada. 

 

Depois de todas as organizações de defesa do ambiente e a comunidade científica (que realizou um manifesto assinado por mais de 260 invetigadores de reconhecido mérito) se terem unido para defender o rio Sabor, juntaram-se agora as vozes do ICN e do IPA (Instituto Português do Arqueologia), entidades que tutelam o património natural e arqueológico do nosso país, respectivamente, reconhecendo a enorme importância do vale do Sabor, bem como a necessidade de o manter isento da construção de qualquer barragem.

 

O Baixo Sabor possui um valor ecológico único e insubstituível

 

Nesta área ocorre uma flora e vegetação de características ímpares em Portugal, onde se destacam as particulares comunidades associadas aos leitos de cheias. No vale do Sabor, surgem também os mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais de Trás-os-Montes, e a presença de substratos calcários e ultrabásicos permite a ocorrência de um elevado número de endemismos. 

 

Esta área apresenta ainda uma elevada diversidade de habitats (20 incluídos na Directiva Habitats, dos quais 3 são considerados de conservação prioritária). A importância desta área é atestada pela qualificação de parte do seu troço na Rede Natura 2000.

 

Ao longo do rio Sabor ocorre uma importante comunidade de aves rupícolas, donde se destaca a presença de espécies como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta, facto que motivou a sua inclusão numa Zona de Protecção Especial (ZPE) e numa IBA (Important Bird Area, BirdLife International). O Vale do Sabor constitui um importante refúgio e corredor ecológico para uma comunidade faunística muito diversificada, onde se salientam espécies como o lobo, o corço, o gato-bravo, a toupeira-de-água e a lontra, e representa o principal local de desova e alevinagem da comunidade piscícola de uma vasta área (desde o Sabor até à albufeira da Valeira no Douro).

 

O rio Sabor é um dos últimos rios não represados e é provavelmente aquele que se encontra mais próximo do estado natural em Portugal, constituindo o último reduto de um território outrora fértil em rios e paisagens notáveis.

 

Os argumentos utilizados da necessidade desta barragem para o cumprimento do protocolo de Quioto e da quota de produção de energia renovável de 39% são altamente falaciosos. Vários estudos técnicos identificam um potencial de poupança economicamente viável em Portugal que pode ultrapassar os 12 000 GWh/ano de electricidade, ou seja, quase 1/3 do total dos consumos do país, valor muito superior aos 250 e 370 GWh/ano correspondentes à produção de electricidade possível com os empreendimentos do Baixo Sabor e Alto Côa, respectivamente! Esta medida é bastante mais económica do que a construção de barragens, não causa nenhum dano ao ambiente, e constitui um contributo decisivo para o cumprimentos das metas do protocolo de Quioto e de produção de energia renovável.

 

O contributo da Barragem do Sabor, representaria apenas 0,17% do total de emissões de CO2 e 0,7% do esforço necessário (0,15 Mton das 21 Mton CO2 que segundo o Plano Nacional de Alterações Climáticas será necessário reduzir) para atingir as metas do Protocolo de Quioto, e 0,6% da energia consumida, assumindo-se como insignificante a nível nacional, face aos seus elevados custos financeiros e ambientais. 

 

Além disso, a baixa contribuição para a redução da emissão de CO2 encontra-se mesmo assim inflacionada, pois não se contabilizou a potencialidade da vasta área florestal da zona em questão funcionar como sumidouro de carbono, a grande quantidade de CO2 e metano libertado pela albufeira (hoje sabe-se que tal ocorre em todas as albufeiras devido à degradação de matéria orgânica em anaerobiose), nem a utilização de milhares de toneladas de cimento, cuja produção implica a emissão de uma grande quantidade de CO2 (cerca de 1,25 ton. de CO2 por cada tonelada de cimento produzida). Por fim, o empreendimento do Baixo Sabor, cujo período de construção está estimado no próprio EIA em cinco anos e meio ou seis anos e meio, não poderá estar finalizado antes de 2010, o que inviabiliza a sua contribuição para o patamar da produção de energia por fontes renováveis e de emissão de CO2.

 

O argumento da importância deste empreendimento para o desenvolvimento local está gasto carece de sustentabilidade. Trás-os-Montes é uma das regiões de Portugal e da Europa com maior densidade de barragens e, no entanto, permanece uma das menos desenvolvidas. A construção da barragem do Baixo Sabor significa a destruição irreversível de culturas prioritárias, como no vale de Felgar – uma das zonas mais férteis de todo Trás-os-Montes – onde se produz anualmente cerca de 60.000 litros de azeite de elevada qualidade (0,2º de acidez), e importantes valores naturais e culturais da região, promovendo o abandono progressivo dos territórios rurais, bem exemplificado na vizinha barragem do Pocinho, cuja povoação se encontra em estado de quase abandono e bastante deteriorada. 

 

A utilização da albufeira para fins turístico-reacreativos estará fortemente condicionada pelos grandes desníveis que se irão verificar a nível da cota de armazenamento de água, com o aparecimento de uma faixa de 7 a 10m de terreno sem qualquer vegetação e coberta de lodo, e pela acentuada degradação da qualidade da água devido aos elevados períodos de armazenamento da água previstos numa zona onde se atingem temperaturas muito elevadas. 

 

Pelo contrário, numa conjuntura internacional cada vez mais favorável a um desenvolvimento local e regional integrado, respeitando e valorizando todas as valências do território, as paisagens únicas deste vale, a sua rica fauna e flora, as excelentes condições do rio para a prática de desportos de águas bravas e o património histórico e cultural associado, constituem recursos valiosos para um turismo de contacto com a natureza e para uma aposta inovadora e inteligente no desenvolvimento sustentável. A comprovar este facto, na actividade deste fim de semana, apesar de haver possibilidade de acampamento gratuito no parque de campismo de Mogadouro, todas as pensões da zona encontram-se lotadas.

 

A Plataforma Sabor Livre espera agora uma decisão por parte do Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente em conformidade com todos os dados técnicos e científicos disponíveis. Caso a decisão do Governo recaia sobre a barragem do Baixo Sabor, a Plataforma Sabor Livre encontra-se preparada para dar seguimento à queixa pré-anunciada à Comissão Europeia, fazer uso dos meios judiciais disponíveis em Portugal, e realizar diversas acções de protesto a nível nacional. Em causa está a necessidade de preservar o rio Sabor e a sua biodiversidade, inviabilizando a construção de uma grande barragem que destruiria de forma irreversivel o seu património único.

 

Não podemos deixar que destruam o último grande rio sem barragens de Portugal!!

 

Plataforma Sabor Livre

Para mais informações consultar: www.saborlivre.org

Contactos:

José Teixeira - 917802563

Bárbara Fráguas - 936274097

Helena Freitas (LPN) - 91 999 26 29

Paulo Santos (Fapas) - 96 706 49 13

Campus Agrário de Vairão

Rua Padre Armando Quintas

4485-661 Vairão

Portugal

e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.">Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

A Plataforma Sabor Livre tem o apoio de Environmental Defense e ADEGA, Adenex, ADP Mértola, Água Triangular, ALDEIA, Almargem, Amigos da Montanha, Amigos do Mar, ANATA, A Rocha, Associação Vento Norte, Campo Aberto, CEAI, CEEA, Clube Celtas do Minho, Coagret, Corema, Crepúsculos, Ecologistas en Acción, Euronatura, Federation of Environmental and Ecological Organizations of Cyprus, FAPAS (España), FEG, GAIA, Grupo Flamingo, IRN, Molima, NEPA-AAUTAD, Oikos, Projecto Palhota Viva.

 

 

 

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