IP8 Santiago de Cacém - Beja: mais uma barreira no território do Alentejo

Ao terminar a fase de discussão pública do estudo prévio relativo ao impacte ambiental do IP8 - Santiago de Cacém - Beja, a Quercus entende tornar públicas algumas considerações sobre os impactes que esta nova via vai introduzir nesta região com grande valor ambiental.

 

Qualquer obra desta natureza (com características de auto-estrada), trás consigo impactes ambientais graves, seja ao nível das alterações da morfologia do solo, da paisagem, da ocupação de solos de REN – reserva ecológica nacional e RAN - reserva agrícola nacional, da poluição de linhas de água e aquíferos subterrâneos, efeitos na fauna e flora, etc., para além dos impactes sobre os bens e a qualidade de vida das populações das áreas percorridas por estas infra-estruturas viárias.

 

Na localização agora proposta para a implantação desta infra-estrutura e seja qual for a alternativa a construir, a criação de um efeito de barreira nesta região do Baixo Alentejo terá sempre um efeito nefasto sobre os ecossistemas pois para além da destruição de uma vasta faixa de montado de sobro cortará corredores ecológicos que funcionam na região, nomeadamente os que permitem manter a continuidade entre o vale do Sado a norte, a serra de Grândola, serra do Cercal até às serras do sudoeste no Barlavento Algarvio. 

 

As alternativas em escolha

 

Troço entre Santiago de Cacém e o IC1/A2

 

Relativamente ao troço entre Santiago de Cacém e o IC1/A2, considerando a informação disponibilizada e o reconhecimento efectuado no terreno, parece-nos que embora nenhuma das opções se destaque em relação à outra, a opção B ( corredor sul), parece ser a mais vantajosa em muitos dos descritores em apreciação. A opção A (corredor norte), colocaria esta infra-estrutura numa mancha de território de dimensão razoável onde ainda hoje não existem grandes estruturas, nomeadamente viárias, o que permite manter aqui uma grande continuidade natural. A implantação duma via com estas características dividiria esta área de forma definitiva.

 

A opção pelo corredor sul apesar de também acarretar um grande impacte sobre manchas de montado de sobro percorre em grande parte corredores viários já hoje ocupados por estradas nacionais (EN. 121) libertando aquela área a norte na serra de Grândola. Nesta como na outra alternativa deverá sempre vir a considerar-se a necessidade de se manterem passagens que minimizem este efeito barreira aproveitando a morfologia do terreno com a utilização de viadutos quando possível e de outras passagens, de acordo com os estudos que existam ou que venham a ser efectuados para avaliar a localização e as características das mesmas.

 

Troço entre o IC1/A2 e Ferreira do Alentejo

 

Quanto a este troço entre o IC1 e Ferreira do Alentejo, em relação à alternativa B deve ser escolhida a proposta base ao invés da proposta 3B (mais a sul), seguindo assim ao longo do corredor da EN121 já aí existente entre Canhestros e Ferreira do Alentejo pois parece haver menos impacte em termos dos ecossistemas atravessados e dos recursos hídricos afectados.

 

Troço a norte de Beja /variantes ao IP2

 

No que toca ao traçado junto a Beja, incluindo as variantes ao IP2 propostas a poente e nascente da cidade, todas as alternativas vão ter um impacte sobre estruturas agrícolas, divisão de propriedades, proximidade de Montes, afectando dezenas de ha de solos agrícolas de qualidade na área dos barros

de Beja. Há pois que analisar em pormenor as alternativas propostas embora pareça desde já que o corredor norte poderá ser o menos gravoso em termos dos impactes referidos tendo também vantagens em termos de afectação de recursos hídricos.

 

Conclusão

 

Assim apesar de todas as reservas teríamos como opção a proposta B + 2B + B e A/B com as variantes ao IP2 propostas em redor de Beja, assegurando que é minimizado o efeito bloqueio que esta via ocasiona ao longo de todo o traçado nomeadamente na região a nascente do rio Sado.

 

Lisboa, 8 de Outubro de 2003

A Direcção Nacional da Quercus

 

Para mais informações contactar com José Paulo Martins : 93 7788473

 

 

 

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